sexta-feira, 10 de julho de 2009

Drummond, eterno Drummond


Definitivo


"Definitivo, como tudo o que é simples.

Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!!!

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável. O sofrimento é opcional..."


Salve Drummond!

sábado, 6 de junho de 2009

O poder da oração

Eu recebi uma educação cristã, baseada nos dogmas da Igreja Católica. Desde pequena aprendi sobre a importância de Deus para as nossas vidas. E mesmo não frequentando a Igreja, tenho sempre minhas orações ao meu lado e as faço diariamente.
Independente de religião, seja Catolicismo, Prostetantismo, Budismo, Hinduísmo, Anglicanismo, por exemplo, o mais importante de tudo são os valores repassados e a força que encontramos para superar os percalços da vida por meio das orações.
Falei agora há pouco sobre as dificuldades que esta separação da minha família tem provocado em todos nós. O que nos fortalece é a crença em Deus, em Santa Teresinha e nos princípios cristãos.
Não tenho vergonha de falar que acredito no poder da oração, pelo contrário, orgulho-me de mostrar minha fé e que se não fosse a mesma eu já teria arrumado as malas e voltado para casa.
Esta semana e confirmei, mais uma vez, o poder da oração. Pedi muito a Deus e Santa Teresinha que tudo se resolvesse de uma forma bem tranquila e o mais rápido possível. E as coisas realmente tem se resolvido tranquilamente e tudo está dando certo e bem rápido!
É ou não é o poder da oração?
Por isso digo uma frase que uma amiga sempre gostou de dizer: "quem se encosta em Deus, não cai!" E eu sou uma prova viva disso. Tenho passado por caminhos difíceis, mas não caí em nenhum momento, porque Deus é meu suporte, meu alicerce.

Adeus à vida virtual

Hoje estou feliz da vida e sorrindo para as paredes. No próximo mês eu estarei junto à minha família de novo. Espero que o tempo passe bem rápido, pois comecei a contagem regressiva. Estou tão ansiosa em vê-los, em ensiná-los o pouco do que já aprendi e também em mostrá-los os locais que já conheci.
Esses meses de separação não tem sido nada fáceis, mas agora esses dias tomaram outras cores e formas. Saber que em 1 mês e 15 dias estaremos juntos de novo me dá um outro gás e uma vontade enorme de fazer as coisas.
A felicidade tomou conta de mim de uma maneira inexplicável. Agora é pra valer! Seremos uma família unida e feliz de novo, sem vida virtual, mas vida real, palpável. Chega de diferença de fuso, de desejo de beijos e abraços. Agora, a vida toma seu curso certo e o toque, o contato físico volta à rotina.
Não há palavras para expressar o que esse fato representa na minha vida.

sábado, 23 de maio de 2009

Se não fosse a violência


Quando decidi me mudar para o Japão, muita gente dizia que eu iria apreciar o Brasil e vê-lo com outros olhos depois de anos longe. Realmente quando estamos distantes da nossa terra natal, nosso sentimento por ela se torna diferente, pois lá estão nossas raizes.

Amo meu país e minha cidade Teresina, mas sempre quis viajar pelo mundo e conhecer outros lugares e outras culturas. Queria isso não por não gostar do Brasil, mas por dois motivos: a quantidade de locais para se conhecer e explorar neste mundo afora e também para ter experiências e aplicá-las na minha terra.

Estou com pouco tempo aqui no Japão, mas sinto falta do cheiro do Brasil, das imagens do Brasil, da riqueza do Brasil. Ainda não explorei um milésimo do que gostaria aqui na Terra do Sol Nascente, mas, garanto, vou explorar!

Fico orgulhosa quando as pessoas mencionam locais que já ouviram falar, da música, do futebol , até das artes marciais brasileiras.

Ontem meus amigos do Camboja e do Laos pediram para ver fotos do Brasil e eu mostrei algumas muitas. Ah! Foi unânime: "que lugar lindo!" E é lindo mesmo! Um céu azul perfeito.

Realmente, um lugar maravilhoso para se viver.

Mas aí vem o problema: a violência. Ainda ontem conversava com amigos brasileiros sobre a vida aqui e lá e outra opinião unânime: "se não fosse a violência!" Então, se n fosse ela, o Brasil seria perfeito.

E acho que o motivo que faz os brasileiros terem esse desejo de deixar a pátria amada é o alto índice de violência. Não tem lugar no mundo em que você encontre vantagens e desvantagens, mas acabe achando os pontos positivos brasileiros maiores. Mas a violência nos faz temer a volta para casa.

Nessa mesma conversa com os meus amigos, os três contaram casos de assaltos em que estiveram envolvidos e do trauma que isso deixou na vida deles.

Diariamente quando acompanhamos as notícias pelos portais e jornais brasileiros, só lemos assuntos relativos à violência. Dá até para fazer lista por temas bem específicos: assaltos em lotéricas, assaltos em bancos, assaltos no carro, estupros em universidades, enfim, assunto não falta. Onde vamos parar com essa violência? Será que perdeu o controle?

Pois é, sinto falta de tudo no meu país, até do trânsito engarrafado (hehehehehehehe!), mas quando penso na violência, não sinto nem um pingo de vontade de voltar para lá.

Mas, como é só um grande ponto negativo, as belas praias, as cidades históricas e o colo de meus pais me fazem querer ver minha terra assim que for possível.

Quem resiste a uma praia do nordeste brasileiro, por exemplo?

sábado, 16 de maio de 2009

Querido Diário

Eu, como a maioria das minhas amigas, tinha um diário, que depois recebeu o nome de agenda. Nele eu escrevia sobre meu dia, minhas alegrias, frustrações, chateações, lembranças, enfim, realmente era um espaço para desabafo. Na minha agenda eu também guardava rótulos, tickets, fotografias etc. Tive agenda até o meu período de faculdade e não me envergonho de dizer.
Depois que casei, tive dois diários, um que fiz durante a gravidez da minha primeira filha, Carolzinha, e o outro quando nos mudamos para Salvador.
Confesso que quando estava arrumando minhas coisas para vir para cá (Japão) li os dois diários, me emocionei e depois joguei-os no fundo de uma das muitas caixas.
Desde que cheguei aqui que estou com um desejo de escrever um diário. Então pensei: bobagem! Resolvi escrever nos blogs. Mas não é a mesma coisa. Cada um tem funções diferentes.
Então, ontem, durante meus muitos momentos de reflexão, cheguei à conclusão que um diário, com tudo que tem direito, será realmente um espaço para eu me jogar com tudo, me despindo de todas as dores e dúvidas.
Comprei um caderno especial e hoje, dia 16 de maio, começo a escrever nas páginas do meu querido diário.

domingo, 10 de maio de 2009

Recordações

Estava lendo o blog da minha amiga Cacá e ela tem um post de livros que marcaram a infância. Daí comecei a pensar na minha lista, mas não consegui reduzi-la (pra variar). E dos livros vieram outras memórias, do tempo em que era só filha e minha única preocupação era qual seria a próxima brincadeira. Bons tempos aqueles. Correr, andar de bicicleta por aí, subir em muros e árvores, brincar de boneca, ler... O gosto do abacaxi com açúcar que eu comia na casa da minha avó. Enfim...
Senti uma saudade gostosa. Senti saudade do colo dos meus pais quando queria carinho e proteção.
Acho que é carência de colo.

sábado, 9 de maio de 2009

O amor é a base de tudo

Quando eu resolvi tentar a bolsa de estudos do Governo Japonês, o que mais ouvi foi as pessoas me chamarem de louca, sem juizo. O diagnóstico era dado de imediato por dois motivos: o fato de querer ir para o Japão (do outro lado e com uma cultura de outro mundo) e o de ficar longe da família (filhos e marido) durante um período considerável.
Determinada como sou, resolvi continuar meu caminho, com muita conversa e simulação de situações entre mim e minha família.
Depois que saiu o resultado, poucos me parabenizaram, a maioria, quando tomava conhecimento da minha aprovação dizia logo assim: "Meu Deus, Eulália, tu é louca mesmo! E os seus filhos, vai fazer como? Quem vai ficar com eles quando você viajar?" Imediatamente eu respondia com a frase que, para mim, seria óbvia! "Ficar com o Rodrigo, pai deles, é claro! Com quem mais seria?"
Eu não entendo porque parece tão surreal um pai cuidar dos filhos enquanto a mãe trabalha, viaja ou estuda, e o contrário não o é. Será que por causa da cultura machista na qual estamos inseridos?
Em momento algum dissemos que seria fácil, mas sempre tivemos um plano muito bem traçado. E sempre confiei que meu marido iria tirar essa "separação temporária" de letra, pois ele sempre participou do dia-a-dia dos nossos filhos.
Vejo algumas mulheres reclamando que seus maridos não fazem nada pelos filhos, não sabem de nada. O problema vem da origem, pois quando os eles nascem, contrata-se uma babá, tem-se sempre o apoio da avó e, em muitos casos, o pai muda de quarto porque não sabe como lidar com um bebê. Então, se ele não participa desde cedo, como participar depois? O pai é tratado como um mero expectador, com obrigações financeiras e afetivas, mas da rotina não pode participar.
Se nem as mães acreditam nos pais, como os filhos irão se sentir seguros com eles?
Voltando ao início do post, sabe por que sempre confiei no pai dos meus filhos? Porque ele sempre teve uma participação fundamental na vida dos nossos filhos, meus e dele. Quando o vejo fazer naturalmente tarefas básicas, tais como, escovar os dentes deles, preparar o jantar, levá-los para cortar o cabelo, arrumá-los e colocá-los para dormir, por exemplo, vejo que não me enganei em nenhum momento sobre o homem que eu amo e que escolhi para formar minha linda família.
Sabe o porquê de eu ter acreditado sempre em meus filhos, apesar da pouca idade deles? Porque eu e o Rodrigo estamos fazendo um ótimo trabalho e me orgulho de dizer isso. O amor que eles recebem todos os dias os torna equilbrados, felizes e confiantes nos pais.
O amor é realmente a base de tudo, o alicerce da vida.